Ação realizada em São Luís e Cantanhede apura desvios de recursos públicos em contratos da Prefeitura de Godofredo Viana; seis pessoas foram presas e uma segue foragida
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (8), mais uma etapa da Operação Maat: Fase Persistência, voltada ao combate à corrupção e ao desvio de recursos públicos no município de Godofredo Viana, termo judiciário da comarca de Cândido Mendes.
A operação resultou na prisão preventiva de seis pessoas, entre elas dois ex-agentes públicos e quatro empresários, além do bloqueio de bens que somam R$ 1.960.054,05. A ação contou com apoio técnico do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), da Polícia Civil e da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
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| MPMA prende ex-prefeito de Godofredo Viana, empresários e bloqueia R$ 1,9 milhão em nova fase da Operação Maat. (08.05.2026) Foto: Ministério Público do Maranhão |
Mandados foram cumpridos em São Luís e Cantanhede
Coordenada pelo promotor de justiça Márcio Antônio Alves de Oliveira, a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros Calhau, Ponta d’Areia e Araçagy, em São Luís, além do município de Cantanhede.
Foram presos Marcelo Jorge Torres, ex-prefeito de Godofredo Viana; Gihan Ayoub Jorge Torres, ex-secretária municipal de Administração e Finanças e irmã do ex-prefeito; Ronnel Quaresma dos Santos, sócio da empresa R. Quaresma dos Santos; Tiago Val Quintan Pinto Frazão, sócio da Frazão Construções LTDA; Alonso de Souza Batista, sócio da empresa A de S Batista Empreendimentos e Serviços Eireli; e Paulo Ricardo Nogueira Ayres Val Quintan, sócio da PM Construções e Serviços Eireli.
Segundo o MPMA, apenas o mandado de prisão expedido contra Sonia de Jesus Cruz, sócia da empresa LTZ Comércio Eireli-ME, não foi cumprido. Ela é considerada foragida.
Dinheiro, veículos e documentos foram apreendidos
Durante a operação, foram apreendidos quatro veículos de luxo, computadores, celulares e R$ 291,2 mil em dinheiro em espécie. Conforme o Ministério Público, o valor estava dentro de um dos automóveis alvo das buscas.
Também foram apreendidos 49 comprovantes de transações bancárias, incluindo TEDs, depósitos e saques, que totalizam R$ 3.378.147,49. Os documentos também estavam em um dos veículos vistoriados durante a operação.
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| Material apreendido durante nova fase da operação Maat. (08.05.2026) Fotos: Ministério Público do Maranhão |
Os mandados foram expedidos inicialmente pelo juiz Rodrigo Terças e posteriormente ratificados e ampliados pela juíza Luana Cardoso, da Comarca de Cândido Mendes.
De acordo com o promotor Márcio Antônio Alves de Oliveira, as empresas investigadas não executavam os serviços contratados pela administração pública.
“As empresas não prestavam os serviços. O dinheiro era desviado”, afirmou.
Investigação apura desvios em contratos públicos
Os investigados foram denunciados pelo Ministério Público em 2024 por supostos desvios de recursos públicos destinados à execução de obras e compra de material de expediente no município de Godofredo Viana, referentes ao ano de 2016.
Segundo a denúncia, assinada pelo promotor Márcio Antônio de Oliveira, os envolvidos podem responder por crimes de peculato-desvio, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As investigações apontam que valores públicos teriam sido transferidos para contas de empresas de fachada, familiares e do próprio ex-prefeito. O MPMA afirma ainda que houve transferências diretas das contas da Prefeitura de Godofredo Viana para contas particulares.
A Operação Maat, nome inspirado na deusa egípcia da justiça, teve a primeira fase realizada em dezembro de 2023. As investigações tiveram origem em três apurações distintas sobre corrupção e desvios de recursos públicos desenvolvidas ao longo de aproximadamente três anos.
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Ex-prefeito já havia sido preso em outra fase da operação
Segundo o Ministério Público, esta é a segunda vez que Marcelo Jorge Torres e Gihan Torres são presos no âmbito de investigações relacionadas a corrupção e desvios de recursos públicos da Prefeitura de Godofredo Viana.
A primeira prisão ocorreu em setembro de 2025, durante a Operação Maat – fase Prato Cheio, que investigava supostos desvios de recursos destinados à merenda escolar em Godofredo Viana.
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