Sessão solene em Carutapera debate combate à violência contra crianças e adolescentes

Autoridades, representantes do Judiciário, Polícia Civil e CMDCA destacaram prevenção, denúncias e acolhimento durante evento alusivo ao 18 de Maio

A Câmara Municipal de Carutapera realizou, na manhã da última terça-feira (26), uma sessão solene em alusão à campanha do 18 de Maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O encontro reuniu representantes do poder público, Judiciário, Polícia Civil, conselhos e moradores.

Sessão solene em Carutapera debate combate à violência contra crianças e adolescentes
Sessão solene em Carutapera debate combate à violência contra crianças e adolescentes. Foto: CTP News

A sessão foi presidida pelo presidente em exercício da Câmara, Geremias Guerra, vice-presidente da Casa. A condução dos trabalhos ficou sob responsabilidade da vereadora Professora Nadja. A mesa foi composta pelo delegado da Polícia Civil Samuel Lira, pelo chefe de gabinete Dudu Rodrigues e pelo padre Agnaldo, que representaram os diferentes setores da sociedade de Carutapera.

Também participaram vereadores, secretários municipais, conselheiros tutelares, servidores e moradores do município. Entre os representantes das secretarias municipais estiveram integrantes das pastas de Assistência Social, Educação e Mulher.

Secretário de Educação de Carutapera Wedson Ribeiro

Vereadores, secretários e servidores durante sessão solene na câmara de vereadores. Carutapera, MA 26.05.2026. Foto: CTP News

CMDCA apresenta dados e destaca importância da campanha

Durante a sessão, Mirnaia Fernandes, representante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), afirmou que Carutapera realiza a campanha de forma significativa e ressaltou a importância do tema para o município.

Segundo dados apresentados pelo conselho, os registros acompanhados pelo Conselho Tutelar aumentaram nos últimos anos. O balanço apontou 23 casos registrados em 2024, 15 denúncias em 2025.

Durante a explanação dos dados foi levantado reflexões sobre o período da pandemia, quando crianças e adolescentes permaneceram mais tempo dentro de casa, ambiente onde parte das violências acontece

Mirnaia Fernandes, representando o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Foto: CTP News

Ao falar sobre a campanha, Mirnaia destacou que o período representa um momento de conscientização e pedido de socorro para vítimas que ainda não conseguem denunciar situações de violência.

“Esse momento de campanha é um momento não da campanha, mas de grito, momento de socorro até por aqueles que não conseguem ainda falar”, disse Mirnaia.

 Até o momento em 2026, o Conselho Tutelar já contabiliza 8 denúncias.

Judiciário fala sobre acolhimento e escuta especializada

A representante da Comarca de Carutapera do Tribunal de Justiça do Maranhão, a secretária judicial Taciana Froz, falou sobre o funcionamento da sala de escuta especializada e os protocolos utilizados para acolhimento de crianças e adolescentes vítimas de violência.

Secretária Judicial Taciana Froz durante vídeo da juíza da Comarca de Carutapera, Jéssica Dias
Secretária Judicial Taciana Froz durante vídeo da juíza da Comarca de Carutapera, Jéssica Dias

Segundo ela, o objetivo é garantir um atendimento humanizado e evitar a revitimização durante os procedimentos. Taciana também afirmou que o Judiciário atua como um ambiente de acolhimento e proteção às vítimas, também durante a fala foi reproduzido um vídeo com a Juíza da Comarca Jéssica Gomes Dias e projeto “Conhecendo o Judiciário”.

Delegado destaca principais crimes registrados

O delegado Samuel Lira apresentou dados relacionados às denúncias recebidas pela Polícia Civil e informou que entre 62% e 66% dos casos chegam à delegacia por meio do Conselho Tutelar.

Durante a fala, o delegado citou que os crimes de maior incidência registrados na delegacia são estupro de vulnerável, maus-tratos e abandono de incapaz. Ele também destacou que muitos casos envolvem pessoas do próprio ciclo familiar das vítimas.

Samuel Lira ressaltou a responsabilidade conjunta da família, sociedade e Estado na proteção de crianças e adolescentes, conforme previsto na Constituição Federal. Segundo ele, o silêncio contribui para a continuidade da violência.


Delegado da Polícia Civil em Carutapera Samuel Lira. Foto: CTP News
Delegado da Polícia Civil em Carutapera Samuel Lira. Foto: CTP News

“O nosso silêncio estimula o agressor”, afirmou Samuel Lira.

 Ele ponderou que, antes de se preocupar com a denúncia, é preciso focar na prevenção, uma vez que o autor não tem perfil definido.

Sinais de alerta e impactos nas vítimas

Durante a palestra, foram mencionados sinais que podem indicar situações de violência, como queda no rendimento escolar, perda de vínculos sociais, medo constante, alterações comportamentais e episódios de pânico.

Galeria da Câmara de Vereadores durante sessão solene na última terça-feira (26)
Galeria da Câmara de Vereadores durante sessão solene na última terça-feira (26). Foto: CTP News

O delegado destacou ainda que os impactos causados pela violência podem permanecer na vida das vítimas até a fase adulta.

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Outro ponto abordado foi a dificuldade enfrentada em relação à realização de perícias necessárias para comprovação de alguns casos. Segundo Samuel Lira, a demora na emissão de laudos periciais em São Luís, já provocou situações de soltura de investigados durante processos.

Ele também afirmou que os atendimentos realizados pela Polícia Civil garantem sigilo e preservação das vítimas, com suporte humanizado prestado por servidores e profissionais envolvidos no acolhimento, na delegacia.

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