Série de estrondos foi registrada perto de base aérea, com relatos de aeronaves, falta de energia e colunas de fumaça na capital venezuelana
Uma série de explosões foi ouvida na madrugada deste sábado (3) em Caracas, capital da Venezuela. Moradores relataram também o barulho de aeronaves sobrevoando a cidade, segundo publicações nas redes sociais.
Os relatos foram confirmados por jornalistas das agências internacionais AFP e Reuters. De acordo com testemunhas, os estrondos ocorreram por volta das 2h no horário local (3h em Brasília).
O governo da Venezuela confirmou neste sábado (3) que ataques atingiram Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira durante a madrugada. Segundo comunicado oficial, os episódios envolveram alvos civis e militares.
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| Múltiplas explosões em região de zona militar estratégica da capital venezuelana. Foto: Frame/Redes Sociais |
Até a última atualização, não havia informações oficiais sobre a origem das explosões.
Área próxima a base aérea ficou sem energia
Segundo a Reuters, uma testemunha afirmou que uma região próxima à base aérea de La Carlota, localizada no sul de Caracas, ficou sem fornecimento de energia elétrica após os episódios.
Além disso, colunas de fumaça puderam ser vistas em diferentes pontos da capital venezuelana, aumentando a apreensão entre moradores.
A Associated Press (AP) informou que ao menos sete explosões foram relatadas e confirmou que aeronaves foram vistas voando baixo sobre a cidade. Pedestres que estavam nas ruas correram ao ouvir os barulhos, segundo a agência.
Testemunhas relataram que pedestres correram pelas ruas ao ouvir os estrondos. Até o momento, não há balanço oficial sobre feridos ou mortos.
Governo atribui ataques aos Estados Unidos
Em comunicado, o governo venezuelano afirmou que a ação teria sido conduzida pelos Estados Unidos e que o objetivo seria assumir o controle das reservas de petróleo e minerais do país.
Segundo a nota oficial, os ataques ocorreram de forma coordenada em diferentes regiões estratégicas do território venezuelano.
Maduro decreta estado de Comoção Exterior
Ainda segundo o comunicado, o presidente Nicolás Maduro assinou um decreto que declara estado de Comoção Exterior em todo o território nacional.
"O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada", diz o texto.
O governo também convocou a mobilização nacional:
"O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista."
Escalada de tensões entre Venezuela e EUA
Os ataques ocorrem em meio à escalada das tensões entre Venezuela e Estados Unidos. Na semana passada, o presidente americano Donald Trump afirmou que forças dos EUA realizaram o primeiro ataque em solo venezuelano, com o objetivo de destruir um porto que, segundo ele, seria utilizado pelo narcotráfico.
De acordo com a imprensa americana, essa operação teria sido realizada com drones e conduzida pela Agência Central de Inteligência (CIA).
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Pressão internacional contra o governo Maduro
Em novembro, a Reuters informou que os Estados Unidos se preparavam para iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela. Duas autoridades americanas disseram que ações encobertas poderiam ser a primeira etapa de uma estratégia para pressionar o presidente Nicolás Maduro.
A pressão aumentou em agosto, quando os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro. No mesmo período, o governo americano reforçou sua presença militar no Mar do Caribe.
Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a operação tinha como foco o combate ao narcotráfico, mas, posteriormente, autoridades indicaram que o objetivo final seria a derrubada do governo venezuelano.
Petróleo e sanções agravam o cenário
Segundo o jornal The New York Times, os Estados Unidos demonstram interesse nas reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo.
Nas últimas semanas, navios petroleiros venezuelanos foram apreendidos por militares americanos, e o governo dos EUA determinou um bloqueio contra embarcações alvo de sanções. Trump também acusou o governo Maduro de práticas ilegais contra interesses americanos.
*Em atualização.

