Mobilização ocorreu no último sábado (10), com rabetas e participação de moradores de comunidades do Maranhão e do Pará; percurso começou em Carutapera e terminou em Viseu
Uma manifestação fluvial reuniu moradores de comunidades do Maranhão e do Pará no último sábado (10), no Rio Gurupi, em uma mobilização contra a instalação de projetos de mineração e a grilagem de terras na região. Segundo a União das Comunidades em Luta (UCL), organizadora do ato junto ao Comitê Popular de Defesa do Rio Gurupí, a atividade foi a primeira manifestação fluvial realizada na região com essa finalidade.
A mobilização contou com cerca de 15 rabetas. De acordo com os organizadores, mais de 150 pessoas participaram das atividades de concentração e encerramento, enquanto cerca de 30 moradores aguardaram a passagem das embarcações no porto do povoado Iricurí, em Carutapera, com bandeiras e fogos de artifício.
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| Manifestação fluvial reúne comunidades no Rio Gurupi em ato contra mineração e grilagem. Foto: Reprodução/União das Comunidades em Luta |
Manifestação percorreu comunidades às margens do rio
A concentração começou às 7h, no povoado Manaus da Beira, na margem maranhense do rio. As embarcações partiram por volta das 9h e fizeram uma parada no porto do povoado Iricurí, onde moradores receberam os participantes. Em seguida, o grupo passou em frente aos portos dos povoados São José do Gurupi e Murujá, antes de encerrar o percurso no povoado Santo Antônio, no município de Viseu, no Pará.
Durante o trajeto, os manifestantes soltaram fogos de artifício e entoaram palavras de ordem em defesa do Rio Gurupi, da terra e das comunidades locais. Entre as frases utilizadas estavam “Defender o Rio Gurupi!”, “Viva o Vale do Rio Gurupí!”, “Viva a luta pela terra!” e “O povo unido jamais será vencido!”.
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| Rabeta com bandeiras durante ato no Rio Gurupí. Foto: Reprodução/União das Comunidades em Luta |
A mobilização também contou com faixas e banners com mensagens contra a mineração e a grilagem de terras, além de referências ao imperialismo e à criminalização do cacique Wilson Guajajara. Cartazes homenagearam Alípio de Freitas, João Carlos Haas Sobrinho, Gabriel Pimenta e Quintino Gatilheiro, apresentados pelos organizadores como heróis do povo.
Comunidades e organizações participaram do ato
Segundo a UCL, a manifestação reuniu representantes de mais de dez comunidades organizadas, além de apoiadores de municípios vizinhos.
De Carutapera, participaram representantes de Manaus da Beira, Iricurí, Murujá, São Lourenço, Caranandeua, Timbotiua e Cajú. Do município de Junco do Maranhão, esteve presente o povoado Vilela. Já de Viseu (PA), participaram representantes de Santo Antônio, São José, Jaraquara e Arirama. Também foram registrados participantes do Quilombo Bela Aurora, em Cachoeira do Piriá (PA), de Boa Vista do Gurupi e de Amapá do Maranhão.
Entre as entidades envolvidas estavam o Comitê Popular de Defesa do Rio Gurupi, a União das Comunidades em Luta (UCL), a LAI, a EXNEPe, a EXMAEPe, o Movimento Camponês Popular do Maranhão (MCP-MA), a Associação Gurupi Ambiental e o Coletivo Estudantil Filhos do Povo.
Também participaram associações de trabalhadores e pequenos produtores rurais das comunidades Caju, Vilela, Arirama, Iricurí e Timbotiua.
Organização começou em março
Conforme o relato divulgado pela UCL, a realização da manifestação foi definida em uma Assembleia Popular em 14 de março de 2026, data em que também foi fundado o Comitê Popular de Defesa do Rio Gurupi.
A preparação incluiu atividades de mobilização em dois dos três maiores povoados de Carutapera, com distribuição de panfletos e convocação de moradores para participar do ato.
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| Concentração durante ato em favor das comunidades ribeirinhas do Maranhão e Pará. Foto: Reprodução/União das Comunidades em Luta |
Os organizadores informaram ainda que cinco estudantes de Pedagogia viajaram de São Luís para contribuir com a atividade. Algumas comunidades também percorreram longos trechos pelo rio para chegar ao ponto de concentração. Segundo a organização, houve deslocamentos de até sete horas de navegação.
Organizadores relacionam defesa do rio à luta pela terra
Durante a manifestação, uma liderança da UCL afirmou que a defesa do Rio Gurupi está diretamente relacionada à luta pela terra e à permanência das comunidades em seus territórios.
Na avaliação apresentada pela organização, o avanço de possíveis empreendimentos de mineração está associado à grilagem de terras. Os participantes também defenderam a organização coletiva das comunidades para enfrentar o que consideram ameaças ao território.
“Eles estão promovendo uma guerra contra a gente, a nossa resposta tem que ser uma guerra contra eles. É justo as comunidades se defenderem”, afirmou uma liderança durante o ato.
Em outra declaração, um representante da organização criticou a grilagem de terras e a possibilidade de instalação de uma empresa mineradora na região.
“A gente tá aqui hoje enfrentando a grilagem de terras do latifúndio, que é o pior inimigo do nosso povo, que mais oprime e mais explora por séculos no nosso país. A gente tá lutando contra uma empresa mineradora que é a representação do imperialismo”, declarou.
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O encerramento ocorreu no povoado Santo Antônio, em Viseu (PA), apontado pela organização como uma das localidades sob ameaça de instalação de atividades de mineração.
Segundo a UCL, a comunidade também recebeu, em outubro de 2025, uma Assembleia Camponesa que reuniu mais de 210 pessoas para discutir questões relacionadas à terra e às comunidades do Vale do Gurupi.
O Rio Gurupi estabelece a divisa entre o Maranhão e o Pará e conecta comunidades dos dois estados. A manifestação reuniu moradores que vivem em suas margens e que, por meio do ato, apresentaram reivindicações relacionadas à defesa do território, contra a ameaças da mineração e à grilagem de terras.



