Da presença dos jesuítas no século XVII à criação do povoado e da emancipação política, conheça os principais acontecimentos que marcaram o surgimento de Carutapera, no oeste do Maranhão
Localizada no litoral oeste do Maranhão, às margens do rio Arapiranga e próxima à foz do rio Gurupi, Carutapera possui uma história que começou muito antes de sua emancipação política. A formação do município está ligada à presença dos povos indígenas, à atuação de missionários religiosos, à chegada de colonizadores e às mudanças administrativas ocorridas ao longo do século XIX.
Em 1661, o explorador Pedro Teixeira já teria registrado o reconhecimento do terreno para a construção da estrada real, para ligação entre as províncias do Pará e do Maranhão.
Os registros históricos apontam que um dos primeiros marcos da ocupação da região ocorreu em 1655, quando missionários jesuítas instalaram um posto de catequese destinado a evangelização dos povos indígenas que viviam às margens do rio Gurupi, e marcou o início da presença permanente de europeus na área onde, anos mais tarde, surgiria Carutapera.
Pará e Maranhão
Durante parte de sua história, o território onde hoje está localizado o município fazia parte da antiga Província do Pará. A situação mudou em 12 de junho de 1852, quando um decreto imperial transferiu para a Província do Maranhão toda a área situada entre os rios Turiaçu e Gurupi, estabelecendo este último como limite entre as duas províncias. Essa mudança administrativa foi decisiva para a formação territorial de Carutapera.
Nos anos seguintes, novas tentativas de ocupação da região foram realizadas. Entre elas está a criação da Colônia de São Pedro de Alcântara, em 1854, iniciativa do então governador da Província do Maranhão, Eduardo Olímpio Machado, conhecido como Barão de Turiaçu. O projeto, no entanto, enfrentou dificuldades e não alcançou o desenvolvimento esperado.
A fundação do povoado
Um dos acontecimentos considerados fundamentais para o surgimento de Carutapera ocorreu em 25 de junho de 1861. Na data, o casal Firmino Pantoja e Faustina Pantoja adquiriu uma área de terras às margens do rio Arapiranga e a destinou para a formação do povoado e para a construção de uma capela dedicada ao Divino Espírito Santo. O ato é apontado como um dos principais marcos da origem da cidade.
Com o crescimento da comunidade, o povoado passou a se desenvolver aos poucos, recebendo famílias e novos moradores.
Da criação do distrito à emancipação
Carutapera foi elevada à categoria de distrito em 12 de julho de 1873, quando ainda fazia parte do município de Turiaçu. Pouco mais de uma década depois, em 11 de maio de 1886, conquistou sua emancipação política e tornou-se município. A instalação do primeiro governo municipal eleito ocorreu em 1892, que escolheu Eustáquio de Oliveira Pantoja como primeiro intendente de Carutapera
Na mesma ocasião foram eleitos para a Câmara Municipal Joaquim da Costa Oliveira, que presidiu o Legislativo, Procópio Cardoso de Lourenço, secretário da Câmara, além dos vogais Cândido das Neves Barros, Joaquim Crispim de Sousa e Militino Pereira Neto.
A estrutura administrativa continuou sendo ampliada com a criação da agência postal em 1893, da condição de termo judiciário em 1896 e da agência telegráfica em 1920, marco da comunicação e os serviços públicos do município.
A perda e a recuperação da autonomia
Ao longo da década de 1930, Carutapera passou por sucessivas mudanças administrativas. Em 1931, o município foi incorporado novamente a Turiaçu. No ano seguinte voltou a ser desmembrado, mas em 1933 tornou a perder sua autonomia.
A situação foi definitivamente resolvida em 3 de junho de 1935, quando um decreto estadual nº 832 restabeleceu Carutapera como município autônomo, tendo sua emancipação política até hoje.
Mais tarde, em 26 de janeiro de 1949, foi criada a comarca de Carutapera, instalada oficialmente em 1º de junho do mesmo ano
Próximo artigo da série: Quando Carutapera deixou de pertencer ao Pará.